Metrô de Higienópolis: a Revolução Francesa paulistana

Burgueses fascistas reacionários de direita elitista!, clamaram hoje proletários de Twitter indignados com a nova de que Higienópolis, o bairro higiênico de São Paulo, não terá mais uma estação de metrô, pois o governo desistiu do projeto após protestos de moradores locais. A estação, que iria desapropriar o Pão de Açúcar da Av. Angélica e alguns outros prédios, agora será instalada na Praça Charles Müller, em frente ao estádio do Pacaembu (não ficou claro se será necessário desapropriar a banca de jornal, o único “imóvel” do local).

A chorumela está em um grau obtuso de estapafurdice. Aparentemente, nossos Robin Hoods de bom coração estão pouco a se lixar por Higienópolis e pelas necessidades da população. Se os moradores de Higienópolis não querem mais uma estação (mais uma estação) nos arrebaldes, o correto é torrar um mol de dinheiro público para punir os moradores por não quererem mais uma estação por perto.

Poderia se cogitar o que ocorreria se o fato acontecido fosse um projeto de estação para Pirituba, Cachoeirinha, Guaianazes, Parelheiros, Perus ou Sapopemba, e a população de Higienópolis, ao invés de não querer uma estação, exigisse uma estação, em detrimento a esta ralé periférica. Não urge muita imaginação para perceber que já teríamos entrado em Guerra Civil.

A estação de metrô não está sendo discutida em termos concretos (literalfando famente). Está sendo discutido como uma ideologia, um preço a se pagar, um prêmio angariado pelo operariado se conseguir colocar uma estação na Avenida Angélica. Ninguém, é claro, se pergunta quanto se pagará por essa miudeza de vitória. Ninguém, por óbvio, se perguntou qual a vantagem, também, de permitir que os burgueses elitistas gastem menos com estacionamento e gasolina tendo um metrô.

Não é preciso se preocupar: os moradores de Higienópolis não conseguiram deixar de se misturar. Higienópolis tá do lado de Uganda nos Trending Topics do Twitter.

Foi dito que a preferência da maioria é que deve prevalecer, e não da elite burguesa fascista reacionária de direita elitista de Higienópolis. Um argumento assaz curioso, visto nunca ter havido eleições democráticas, ou sequer assembléias de DCE, para decidir onde iriam ser instaladas as próximas estações. Mas vamos supor que fizessem um plebiscito em São Paulo: será que o povão da Jova Rural, Ermelino Matarazzo, Bairro do Limão, Jardim Danfer e Cangaíba vão mesmo brincar de lutinha de classes e ficar contra uma estação na Angélica, ao invés de na frente do Pacaembu, pra facilitar dias de jogos do Corinthians?

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Sobre wattgrupo3

Andressa Thomann, Guilherme Junqueira, Igor Faco, Leonardo, Thiago Takeo. Colégio Universitas. Ver todos os artigos de wattgrupo3

Uma resposta para “Metrô de Higienópolis: a Revolução Francesa paulistana

  • EME

    Pra ra começo de conversa o metro de Higienópolis vai existir sim e tera saida para a av. angélica, a faap e para o pacaembu.

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