No mundo de Kim Jong-Il, os EUA são o país mais infeliz

Os Estados Unidos são o país mais infeliz do mundo, enquanto na China vivem as pessoas mais felizes. Pelo menos é isso o que diz uma pesquisa elaborada pela Coreia do Norte que diz tomar como base um índice de felicidade global – criado a partir de critérios totalmente subjetivos, como tudo no país comandado pelo ditador Kim Jong-Il.

Mas o mundo do general de sanidade discutível ainda traz outros nomes de peso no ranking: a Coreia do Norte ficou com a vice-liderança entre os países mais felizes, seguida por ninguém menos do que Cuba, Irã e Venezuela. Os Estados Unidos ocupam a 203ª posição, enquanto a Coreia do Sul – eterna rival do Norte – aparece em 152º lugar.

A notícia foi divulgada em primeira mão na China, onde Kim esteve na última semana em uma de suas muitas visitas secretas. “O resultado é real. Minha vida diária é muito feliz”, disse à agência de notícias EFE Zhang, que trabalha em uma barbearia no centro de Pequim, confessando porém que não conhece bem a situação dos outros países citados. “Mas acho que a China é um bom país”, completou. Wang, um auxiliar de escritório, se mostrou mais cauteloso sobre a situação dos chineses: “Não sei se somos os mais felizes do mundo, mas somos felizes”.

Na web – No entanto, foi na internet, através da qual os 470 milhões de internautas chineses se sentem mais livres para expressar sua opinião protegidos pelo anonimato, que surgiram os comentários mais curiosos sobre o índice. “Deve se referir apenas aos funcionários do governo”, postou o internauta Leshanman, enquanto outro, Kongfang, disse que “é preciso coragem para publicar algo assim”.

“Essa pesquisa é pura estupidez”, afirmou outro internauta identificado como Lang, enquanto Baimaojin opinou que “Kim Jong-Il é hoje um autêntico adulador”. Zhang Zhuan foi mais crítico e destacou que a Coreia do Norte é que deveria estar no topo da lista, já que o regime obriga seus cidadãos a cantar hinos como “somos o país mais feliz do mundo, todos deveriam nos parabenizar”.

Os especialistas estão perplexos com o resultado do índice e se perguntam sobre os critérios de sua elaboração, já que o total oposto de rankings como o da revista Forbes, que situa na liderança Noruega, Dinamarca e Finlândia, seguidas de Austrália, Nova Zelândia, Suécia, Canadá, Suíça, Holanda e Estados Unidos. Em outro estudo sobre a felicidade da população realizado pela universidade holandesa Erasmus, os costarriquenhos e os dinamarqueses aparecem como os mais felizes do planeta, e os americanos ocupam o 21º lugar, atrás dos brasileiros, enquanto os chineses aparecem em 60º lugar, em uma lista na qual a Coreia do Norte sequer é citada.

Vizinhos – Os meios de comunicação sul-coreanos encararam o resultado do índice de felicidade como uma prova da lavagem cerebral a qual estão submetidos seus vizinhos do Norte, com os quais permanecem tecnicamente em guerra, e questionam como eles podem comparar seu nível de felicidade se nunca saíram de suas fronteiras.

O assunto é delicado na China, onde nos últimos meses as autoridades locais realizaram diversas pesquisas para provar a efetividade da “sociedade harmoniosa” proclamada pelo presidente Hu Jintao, depois que em março uma pesquisa oficial revelou que apenas 6% dos chineses se disseram felizes, ao contrário de 49% dos participantes.

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